NINJUTSU

Desenvolvida por povos que habitavam regiões montanhosas do Japão, a cerca de 900 anos atrás, essa milenar arte marcial originou-se da necessidade de sobrevivência constante a esse tipo de meio ambiente. Daimyo (senhores feudais) que visavam expandir seu poder e território constantemente perseguiam a população mais simples (camponeses em sua maioria) e se apropriavam de suas terras. Obviamente esse processo era sempre pela força, seja pela persuasão ou simplesmente chacinando os opositores. Com isso, essa população cada vez mais acuada foi se deslocando para terreno cada vez mais isolada procurando refúgio.


Esse êxodo levou essas pessoas à região montanhosa de Iga e lá se estabeleceram gradualmente. Outros fugitivos como monges chineses e até mesmo piratas também acabaram chegando à essa localidade. Com o passar das eras, essa mescla de origens evoluiu e adquiriu uma identidade muito própria desenvolvendo uma grande variedade de atividades e métodos: filosofia, previsão climática e de terremotos, sobre vivência, topografia, estratégia, manipulação de elementos medicinais, combate desarmado, técnicas com diversas  armas, exploração geográfica, etc.
Os ninjas viviam em comunidades fechadas e eram bem organizados por hierarquias constituídas de agentes de infiltração, comandantes e líderes de comunidades.
O conhecimento, um bem precioso, era passado de geração em geração por muitas vezes somente através de ensinamentos verbais e constantes treinos.

Tanto homens e mulheres recebiam treinamento e incumbências específicas de acordo com suas habilidades. Diga-se de passagem, as mulheres ninja, conhecidas como Kunoichi, eram extremamente devastadoras quando designadas para uma missão. A sensibilidade natural feminina sempre foi um trunfo em meio às diversidades.



Posteriormente, devido a novas perseguições esses povos se espalharam para outras regiões, inicialmente para a outra região montanhosa de Koga e em seguida pra o resto do Japão. 

Ironicamente, alguns desses mesmos clãs perseguidas no passado tornaram-se protegidos e prestavam serviços de espionagem para outros senhores feudais. E até mesmo vários samurais de destaque eram secretamente ninjas de essência, por suas famílias estarem sob a tutela de um daimyo, é o caso de Hattori Hanzo, o temível lanceiro.


 

O ninja que se vê atualmente em filmes por muitas vezes estereotipado como um assassino sombrio e até mitológico, nem de longe é parecido com o que realmente existiu, apesar de que com o devido senso, essa imagem é apenas diversão. Na verdade, ele era um ser consciente e em perfeito equilíbrio com o meio ambiente, pois dele dependia sua sobrevivência. É certo que por muitas vezes senhores feudais contratavam ninjas para suas demandas, contudo, estes só aceitavam ser requisitados quando por ideologia acreditavam e defendiam a causa pela qual entrariam em missão. 
 
Por sua própria história e essência, o ninjutsu mostra que se adapta, evolui e se transforma. A todo tempo, é uma arte em constante movimento.
É o que a faz mais viva do que nunca.


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